Turismo Cultural: Macau e a gastronomia macaense | Cultural Tourism: Macau and the Macanese Gastronomy

 

 

Maria João dos Santos Ferreira
Doutorada em Turismo pelo IGOT-ULisboa , R. Branca Edmée Marques, 1600-276 Lisboa, Este endereço de email está protegido contra piratas. Necessita ativar o JavaScript para o visualizar. .

 

Abstract:
The Historic Centre of Macau was recognized by UNESCO in 2005 as a World Cultural Heritage Site, considered the oldest European architectural testimony on Chinese soil, raising thus the number of World Heritage sites in China to 313. It has given way to a new era for Macau tourism, highlighting cultural tourism. However, this cannot depend exclusively on its tangible historical legacy, gradually leading the intangible cultural heritage to an increasingly importance, especially in the items of the Macanese intangible cultural heritage such as the dialect patois and the Macanese gastronomy, which is widely known as the oldest fusion cuisine. Despite being a diligent presence in the promotional marketing campaigns concerning Macau cultural tourism, Macanese cuisine of Portuguese origin still remains hidden in most restaurants in Macau. There are several factors which challenge its promotion, as several chefs and managers of local restaurants pointed out: hard return of the invested capital, slow-making of the typical Macanese delicacies, the language barrier which makes the Macanese food recipes inaccessible, apart the absence of government support. To complete the article, I suggest the establishment of the Museum of Macanese Food, an organization with the aim of preserving and safeguarding the legacy of recipes and its know-how, archiving the acquired collection for future disclosure.

Keywords: Macau; Cultural tourism; Intangible heritage; Macanese cultural identity; Macanese gastronomy.

 

Resumo:
O Centro Histórico de Macau, considerado o mais antigo testemunho arquitectónico europeu em território chinês, foi reconhecido Património Cultural Material da Humanidade pela UNESCO em 2005, aumentando para 31 o número de sítios de património cultural reconhecidos pela UNESCO, na China2. Iniciou-se uma nova era para o turismo de Macau, com realce para o turismo cultural. Porém, este não deve depender exclusivamente do seu histórico legado material, pelo que a herança cultural imaterial (ou intangível) paulatinamente vai alcançando importância, com destaque para os elementos identitários da sua cultura, como seja o dialecto patuá e a gastronomia macaense, considerada por muitos a cozinha de fusão mais antiga do mundo. Apesar de ser presença assídua nas campanhas de marketing promocional do turismo cultural de Macau, a gastronomia macaense de origem portuguesa continua preterida na restauração de Macau. São vários os factores de obstáculo à sua dinamização, como salientam chefs e gestores da restauração locais: dificuldade no retorno do capital investido, morosidade na confecção das iguarias típicas macaenses, barreira linguística que torna inacessíveis as receitas da gastronomia macaense, e a falta de apoio governamental. A finalizar o artigo, proponho a criação do Museu da Gastronomia Macaense, um
organismo com o objectivo de preservar e conservar o legado de receitas e do seu saber-fazer, arquivando o espólio que conseguir recuperar, para futura divulgação...

Palavras-chave: Macau; Turismo cultural; Património imaterial; Identidade cultural macaense; Gastronomia macaense.

 

 

 

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